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Silagem de abacaxi é alternativa ao milho para confinamento

Custo da tonelada de matéria seca da fruta chega a ser duas vezes menor, enquanto a qualidade nutritiva é equivalente

Ganho de peso com a silagem é de 1,6 kg/cabeça/dia | Foto: Reprodução Internet

Com o preço do milho pouco atraente para o confinador, recorrer a alternativas pode ser uma solução. Entra elas está a silagem de abacaxi, que transforma plantas, mudas, coroas e talos, que seriam descartados, em alimento para o gado. A silagem feita desses ‘resíduos’ tem alto teor proteico e muito açúcar, tendo se mostrado além de nutritivo, um volumoso palatável para os animais.

“O ganho de peso com o material é próximo ao da silagem de milho, em torno de 1,6 kg/cabeça/dia, e o custo da tonelada de matéria seca fica em R$ R$ 230”, afirma Marcelo Dominici, médico veterinário especialista em nutrição de ruminantes e distribuidor Premix no sul do Estado de Tocantins. A tonelada de matéria seca da silagem de milho, segundo ele, custa hoje mais que o dobro no mercado, em torno de R$ 500.

O processo de preparação do volumoso de abacaxi segue o padrão de outras matérias-primas: o abacaxi é colhido, passa pela picagem e pode ser compactado em trincheira ou silo de superfície coberto por lona. É necessário um mínimo de 40 dias para que a fermentação aconteça e, na sequência, o material está pronto para ir ao cocho. Responsável por prestar assistência técnica a produtores da região do Tocantins, o especialista afirma que não é preciso fazer uso de inoculantes. “Agora, se existe um ponto crítico nesse processo é a hora de fazer a picagem o abacaxi”, diz. Ainda não existe uma máquina específica para produzir esse tipo de silagem, sendo necessário adaptar equipamentos. “Na prática, tiramos algumas facas para ele não embuchar”, explica Dominici. Por ser abrasivo, o resíduo, composto também de folhas bastante duras, pode diminuir a vida útil das máquinas.

Em termos nutricionais, o material pode ser comparado à silagem de milho e é, inclusive, mais energético. Em sua composição tem 78% de umidade e 22% de matéria seca, com 6,29% de proteína e 62% de NDT (nutrientes digestíveis totais). “O fato de a umidade ser alta faz com que você tenha que usar um volume maior de silagem para contemplar a quantidade de matéria seca que o animal exige, e isso reduz um pouco a digestibilidade”, comenta Dominici. Outra ressalva é quanto ao teor de carboidrato não fibroso, inferior ao da silagem de milho.

Com a silagem de abacaxi produzida em um hectare, o especialista estima que seja possível tratar uma média de 8 a 10 animais por 90 dias de confinamento. A dieta varia caso a caso, mas para dar uma ideia ao produtor, as proporções são, aproximadamente, as seguintes: 12 kg de silagem de abacaxi; 1,5 kg de farelo de arroz; 4,2 kg de silagem de milho; 3,5 kg de sorgo; 480 g de farelo de soja e 420 g de núcleo mineral com ureia. A escala de produção atende hoje à demanda dos confinadores onde a cultura está instalada. Pará, Tocantins e Minas Gerais respondem pela maior parte desse potencial produtivo. Este ano, no Tocantins, a expectativa é colher 90 mil toneladas da fruta, segundo dado da Secretaria do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária (Seagro). Esse mesmo patamar foi alcançado pelo Estado do Pará já em 2014.

Entre as vantagens de plantar o abacaxi está o fato de a cultura ocupar pequenas áreas, oferecer boa rentabilidade e ser fonte de alimento residual para os bovinos. A produção da silagem também evita que se tenha o ônus de eliminar, no pós-colheita, plantas que não apresentaram frutos, conhecidas como “soca”, sem ter retorno financeiro algum. “Trata-se de um negócio sustentável, e também de uma modalidade de integração fruticultura-pecuária com custo-benefício interessante”, completa Dominici.

Fonte/Créditos: Portal DBO, Marina Salles

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