Agropecuária

Raiva Bovina: uma ameaça para o rebanho que precisa ser controlada

Com prejuízos na ordem de 30 milhões de dólares em toda a América Latina e mortes de quase 50 mil cabeças em todo o Brasil, a Raiva Bovina é umas das principais causas de perdas econômicas na pecuária nacional, tendo prevalência em diversas regiões do país e podendo atingir qualquer rebanho de animais de sangue quente.

Um dos principais problemas da raiva bovina é o fator surpresa. Assim que o vaqueiro notifica ao veterinário responsável que determinado animal está com sintomas da doença, nada mais pode ser feito. Possivelmente, ele morrerá de forma rápida e agonizante com prejuízo certo. Portanto, para que os danos causados pela raiva bovina sejam anulados, é imprescindível que sejam adotadas medidas de controle da doença no rebanho.

A raiva bovina e os principais sintomas
A raiva bovina é uma encefalite aguda viral, que se caracteriza por um quadro neurológico grave, na maioria das vezes, fatal. A importância da raiva é ainda maior, pois é uma zoonose, portanto, com grande impacto para a saúde pública.
Os transmissores da raiva bovina são os morcegos hematófagos que são portadores, reservatórios e transmissores do vírus da raiva. No Brasil, a espécie mais importante é a Desmodus rotundus. O agente etiológico da raiva bovina é o RNA vírus, da família Rhabdoviridae gênero Lyssavirus.
Esse encontra-se na saliva do morcego infectado que, pela mordedura ou lambida em alguma ferida aparente do animal, transmite a raiva. Vale lembrar que o vírus não consegue atravessar a pele íntegra.
Com o animal infectado, o vírus se desloca para o sistema nervoso, e o curso da doença leva poucos dias, com sequência sintomatológica rápida.
Uma vez infectado, o bovino apresenta nítida mudança de hábito, com sintomas evoluindo para perda de consciência, mugido rouco, aumento do volume e presença de espuma na saliva, midríase (dilatação da pupila), fezes secas e escuras.
Uma característica bastante marcante da raiva bovina é o andar cambaleante com posterior paralisia dos membros posteriores e evolução para a dos membros anteriores. Uma vez no chão, o animal não levanta mais e estará fadado à morte, que é dolorosa e triste, e leva de 4 a 8 dias.
Por ser uma zoonose, a notificação da doença aos órgãos competentes é obrigatória! Nada pode ser feito para curar o animal já infectado, porém há medidas de controle eficientes: uma delas é controlar a população de morcegos transmissores.

O controle da população de morcegos
Muita gente pensa que todo morcego suga sangue e, por consequência, transmite doenças, o que não é verdade. Há também espécies de morcegos insetívoras, frutívoras e polinívoras, que não transmitem a doença, muito pelo contrário, ajudam a eliminar insetos noturnos, disseminar sementes e polinizar algumas plantas, respectivamente, sendo favoráveis para o meio ambiente. Devido a isso, é importante que o controle seja feito de maneira seletiva e executado corretamente.
Em regiões com alta prevalência de morcegos hematófagos, o controle seletivo direto, ou seja, a captura do animal, deve ser realizado todo o ano. Devido ao perigo de transmissão ao homem, os responsáveis pela captura destes morcegos devem ser veterinários do governo e fiscais agropecuários treinados, capacitados e vacinados para realizar esta ação.
Geralmente, os morcegos são encontrados em cavernas, mas também podem ser vistos em currais de manejo, o que torna o perigo de surto ainda maior. O uso de redes para captura é o método mais eficiente para ter esse controle dos mamíferos voadores.
Métodos seletivos indiretos também são usados, sendo caracterizados por uma pasta tóxica aos morcegos que é aplicada ao redor da ferida do animal. Ao sugar o sangue da ferida, os morcegos hematófagos entrarão em contato com a pasta e morrerão.

A vacinação contra raiva bovina é imprescindível
O controle da população de morcegos é importante, necessário e, se bem realizado, eficiente, mas é um método complementar a outra forma de prevenção: a vacinação!
A vacinação é a forma mais eficaz de profilaxia da raiva bovina. Não é obrigatória em regiões não endêmicas, ou seja, com baixa prevalência de surtos da doença, mas é aconselhável que todo pecuarista vacine seus animais, evitando surpresas nada agradáveis.
Para que a vacinação proteja o rebanho, é necessário que os animais sejam vacinados e consigam produzir anticorpos antes da inoculação do vírus da raiva, por isso, deve-se ter em mente que a vacina precisa de 21 dias para oferecer proteção aos bovinos.
Os animais devem ser revacinados anualmente, mesmo em regiões sem focos da raiva, garantindo maior segurança e prevenção da raiva.

Fonte/Créditos: LaboVet.Com.Br

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