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Propriedade reduz quase 50% energia usada no confinamento

Energia a partir da matéria orgânica gera quase 21 mil KWh por mês.

Uma fazenda em Carambeí, no interior do Paraná, colocou em prática um trabalho exemplar de geração de energia sustentável a partir da pecuária. A Fazenda Vale do Jotuva, destaque na produção de leite em larga escala, suinocultura e agricultura, reutiliza a matéria orgânica descartada para produzir biogás e obter energia limpa.

A propriedade abrange cerca de 660 hectares de área agricultável para a produção de milho, soja, aveia e trigo, além de um rebanho com pelo menos 1.100 cabeças de gado de leite. Todos esses componentes geram cerca de 21.000 KWh/mês, a partir de matéria prima orgânica animal e vegetal. A potência seria o suficiente para abastecer mais de 200 residências do Minha Casa Minha Vida, durante um mês.

Confinamento contribui para produção de energia limpa na propriedade (Foto: reprodução)

Na Vale do Jotuva são produzidos, por dia, pelo menos 18 mil litros de leite, com cerca de 530 cabeças leiteiras. “Nossa sala de ordenha já foi dimensionada para 900 animais em lactação, mas estamos construindo a segunda fase do projeto, com pelo menos mais um confinamento free-stall, podendo chegar perto dos 40000 litros/dia”, explica um dos proprietários da fazenda, Roderik Van Der Meer. Ele ainda complementa que o piso do confinamento free-stall é constantemente raspado pelo scraper, mantendo assim o piso o mais limpo e seco possível. Outa parte do confinamento é no formato compost barn, que proporciona também mais conforto.

A energia, retirada dos dejetos de animais e do lixo orgânico restante da produção diária da fazenda é repassada na forma de biogás para fazer funcionar outros equipamentos adaptados, que antes eram dependentes de combustíveis fósseis ou eletricidade. A produção total de dejetos diariamente, fica em torno de 60 a 70 m³, sendo de 40 a 50 m³ líquido, e em torno de 15 a 20m³ de sólidos. O biodigestor instalado tem capacidade de 4.175 m³ de dejetos. “Ou seja, são 4,1 milhões de litros, com a produção de aproximadamente 2.000m³ de biogás por dia”, confirma o proprietário.

O uso desse biocombustível na geração de energia é uma ajuda ao meio ambiente. Energia limpa que diminui os custos do consumo elétrico e ainda traz retorno financeiro direito para a propriedade. O processo reduz a quantidade do gás que é despejada na atmosfera e compensa com a liberação de gás carbônico, 21 vezes menos nocivo à natureza. Na Fazenda Vale do Jotuva, cerca de 40% a 45% da energia consumida nos confinamentos e sala de ordenha vem do biogás, por meio de um gerador de 120 KVA. “A despesa é menor e, pelo tamanho e consumo da propriedade, o padrão da fornecedora de energia elétrica, não aguentaria fornecer toda a energia necessária. Uniu-se o útil ao agradável”, explicau Van Der Meer.

A fazenda foi parada dos consultores do Projeto Pecuária de Baixa Emissão de Carbono do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA, Brasília/DF), para uma visita técnica com o objetivo mapear tecnologias de produção que possibilitem uma inserção competitiva e sustentável de pequenos e médios produtores na cadeia produtiva de bovinos de leite e de corte, com foco na diminuição da emissão de gases de efeito estufa na atmosfera.

Fonte/Créditos: Revista feed&food

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