EntretenimentoJuliana Bernardes

O Jovem do Campo que sonha com a Cidade e o Jovem da cidade que sonhacom a Vida no Campo

A permanência do jovem no campo tem sido pauta de debates nas mais diversas áreas do conhecimento, uma vez que dados censitários apontam para um êxodo crescente da população rural jovem.

É possível observar que os laços com a cultura de origem e, ao mesmo tempo, o relacionamento com a cultura da “cidade”, são elementos que influenciam as escolhas do jovem rural e consequentemente, podem refletir na construção de uma nova identidade.

Do mesmo modo, jovens que pertencem ao cenário urbano, especificamente, oriundos do interior brasileiro no qual a tradição rural tem um reforço cultural ainda maior, identificam-se com o a vida no campo.

Os jovensrurais oscilam entre o projeto de “serem algo na vida”, e o compromisso com a família”. Além das possibilidades de crescimento profissional fora da área rural, devido a busca pela educação e aprimoramento técnico, a vida moderna presente na cidade pode exercer um fascínio e gerar ainda mais conflitos nas escolhas do jovem rural.

Quem nasce no campo conhece as dificuldades de viver pelo campo, o trabalho de “sol a sol”, o cuidado com a terra, com o plantio, com os animais, assim como a gestão de todos os setores presentes na propriedade. Afinal, os alimentos que chegam ao nosso prato passaram por diversos processos, sobretudo, pela profunda dedicação do produtor rural.

Já o jovem que quer ir para o campo, atraído pelo bem-estar que o mundo rural emite, pode optar pelas atividades profissionais da área agrária, ou até mesmo, investirem em arrendamento e produção agropecuária. No entanto esses jovens encontram dificuldades para obter apoio de políticas públicas queajudam os jovens a comprar terras ou custearproduções.

Ao analisar os critérios necessários para conseguir fazer parte desses programas ou ações, encontramos exigências que tornam essas políticas limitantes e/ou até mesmo excludentes (vide Agricultura Familiar (REAF); Territórios Rurais da Cidadania; Programa Nacional de Crédito Fundiário (Nossa Primeira Terra); Pronaf – Linha Jovem; Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA); Agenda Nacional de Trabalho Decente para a Juventude (ANTDJ); política de Saúde Integral de Adolescentes para Jovens e o Comitê Permanente da Juventude Rural – CPJR).

Ressalta-se que as dificuldades do jovem rural ou do jovem que ir para o campo não se limitam nas reflexões desse texto, no entanto, é preciso considerar que o agronegócio nacional enfrenta diversos desafios, dentre eles, a falta de sucessão familiar na produção agropecuária e o escasso estimulo do governo.

Diante desse cenário, precisamos valorizar ainda mais todos aqueles que diretamente ou indiretamente vivem para o campo e pelo campo. Afinal, o agro vai além do TECH e do POP, o agro é CONTINUIDADE.

Créditos: Juliana Bernardes, Medica Veterinária, Mestre em Agronegócio e Desenvolvimento, Doutorando em Ciência Animal.

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