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Mulheres do Agro

A presença da mulher nas diversas áreas do agronegócio vem se tornando cada vez maior

Agricultoras, pecuaristas, empreendedoras, executivas, pesquisadoras e stakeholders do universo rural ganham espaço e transpõem obstáculos para atuar como profissionais do agribusiness.

De acordo com a Associação Brasileira do Agronegócio – ABAG, a participação da mulher no agronegócio tornou-se bastante significativa, no entanto, ainda se encontra em andamento a investigação de dados fidedignos que representarão as mulheres nesse segmento.

Ressalta-se que,os cenários ocupados por mulheres até então se deu por meio de conquistas e resiliências sociais. Historicamente, a mulher ganhou o direito de frequentar a escola após 327 anos do descobrimento do Brasil (Lei do Ensino de Primeiras Letras – 1827), mais tarde, em 1879, a mulher consegue frequentar o curso superior e após oito anos ridicularizada e perseguida pela sociedade, forma-se a primeira médica no país.

A Medicina e o Direito foram as primeiras profissões no Brasil, quanto as ciências agrárias, o primeiro curso foi consolidado em 1911e no ano 1929 formou-se a primeira médica veterinária, Dra. Nair Eugênia Lobo.

Já o poder de voto das mulheres se deu há 91 anos, sendo que, só em 1997 aprovou-se a lei 9.054 que reserva 30% das vagas em partidos políticos para mulheres.

As diretrizes histórias apontadas nesse texto tem como proposta enfatizar a busca de direitos das mulheres na sociedade, assim como, a luta pela igualdade e respeito como cidadãs, mães, esposas, filhas, profissionais, lideres, Ceos, cientistas, feirantes, produtoras, empresárias e tantos outros setores que tange, principalmente, o agronegócio nacional.

A competência do trabalho exercido pela mulher no campo vem combatendo o preconceito e difundindo espaço tanto nas diversas áreas da pecuária, quanto da agricultora, gestão, tecnologias de precisão, dentre outros setores.

Nota-se, que o protagonismo feminino presente em todos os elos das cadeias produtivas, seja nos seguimentos à montante ou à jusantetornou-se referência e estimulo para outras mulheres que se identificam com o mundo rural.

Além dos destaques técnicos, é importante observarmos que a união e criatividade de produtoras por meio do cooperativismo e associativismo tem mudado, sobretudo, a realidade de regiões quilombolas, assim como, as campesinaspor todo território nacional.

É preciso ter muita determinação para atuar em um universo que tradicionalmente seguiu-se sob as rédeas de homens,se saímos do contexto “essa profissão e/ou trabalho não é para mulher” para o contexto “a mulher está onde ela quer estar”, foi porque muitas de nós lutou e luta diariamente para alcançar e permanecer.

Se hoje mulheres tiram seu sustento da terra, geram receita, trabalho, colaboram com a sustentabilidade e transpõem os mais diversos gargalos da complexidade do agronegócio é porque existe uma conexão muito forte com a vida no campo.

Sabemos das dificuldades de manter os negócios e/ou profissões em um mercado dinâmico somado as instabilidades políticas, no entanto, sabemos também da importância da nossa resiliência frente a esse contexto.

Eu, mulher, profissional do agronegócio, cientista, desejo a todas vocês, leitoras, protagonistas no mundo rural, o empoderamento, a evolução e a perseverança. Sim, nós podemos, nós conseguimos e não há nada que nos impeça de evoluir, se assim quisermos.

Que junto aos nossos esforços tudo seja possível, que a nossa força somada a força de outras mulheres chegue a lugares onde sozinhas não chegaremos, que possamos inspirar mais mulheres que sonham em trabalhar no campo e que o mundo entenda, não estamos aqui para medir forças, o campo não é de homens ou de mulheres, o campo é de TODOS e a vida agradece quem gera vida.

Texto escrito por Juliana Bernardes, Médica Veterinária, Doutoranda em Ciência Animal 

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