Pesquisa

Fungo é a solução natural para combater praga citrícola

Inovação no campo pode ajudar a combater a pior doença que atinge os pomares de laranja

A preocupação com a produção agrícola de forma sustentável levou o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) de Araraquara a pensar em um bioinseticida para combater o psilídeo Diaphorina citri, vetor das bactérias causadoras do greening pior doença que atinge a citricultura.

Para entender melhor, a greening é uma doença causada por bactérias que afeta todas as plantas cítricas. O vetor é o psilídeo Diaphorina citri, que ao sugar a seiva de uma planta doente para se alimentar, propaga o greening nas lavouras. E uma vez contaminadas, as plantas não podem ser curadas.

De forma inédita, o que deve ser lançado no mercado ainda neste semestre é um bioinseticida especifico para combater o inseto causador desta doença. A base para o produto é um fungo, comum nos próprios laranjais. Na prática, ele é colocado em contato direto com o alvo, através da pulverização. Uma vez no interior do inseto o fungo segue seu processo liberando enzimas e metabólitos que matam o inseto.

“Sempre pensamos em produzir de uma forma mais sustentável e aliado a isso procurávamos algo que pudesse combater o psilídeo que causa a greening”, reforça o pesquisador do Fundecitrus, Marcelo Pereira Miranda.

Processo de pesquisa 
Há cerca de sete anos, o Fundecitrus buscou a parceria parceira da Escola Superior de Agricultura “Luís de Queiroz” (ESALQ-USP), em Piracicaba, que já realizava vários estudos relacionados – e juntos encontraram um fungo que atinge especificamente o inseto causador da doença. Foram inúmeras pesquisas até chegar ao produto biológico a base do fungo chamado de entomopatogênico Isaria fumosorosea.

“Existem outros bioinseticidas, inclusive na citricultura, mas este é o primeiro especifico para esta doença, que já causou tantos danos e agora está mais controlada”, diz o pesquisador.

Segundo Marcelo Miranda, o produto causa poucos danos à natureza e nem mata insetos benéficos, por exemplo, além de ser eficaz no combate a outras pragas do setor.

A indicação é que o bioinsetida seja usado junto com outras práticas de manejo, mesmo porque, como é a base de fungo, em tempos mais secos, a eficácia diminui. “No clima quente e úmido a eficácia do produto é tão boa quanto a de inseticidas químicos.”

Dos laboratórios para o campo 
Agora, o Fundeitrus e a Esalq se aliaram a Koppert, – empresa líder mundial em Controle Biológico e polinização natural – que tem a missão de fabricar o produto em escala industrial. A previsão é que o bioinseticida chega ao mercado neste semestre.

O inseticida microbiológico é ideal para o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e já foi registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. “O manejo é simples, como de qualquer outro inseticida. Então, não deve ter complicações para chegar ao campo. Além disso, o preço também deve ficar na média dos que já são usados na citricultura”, diz Miranda.

Impacto da greening 
A greening é considerada a doença mais severa da citricultura mundial devido ao seu alto poder destrutivo, causando queda de produtividade e diminuição da qualidade do fruto e do suco. No Brasil, está atualmente presente nos estados de São Paulo desde 2004 – Minas Gerais e Paraná.

Em São Paulo, ocorre em todas as regiões produtoras de citros localizadas em mais de 300 municípios, tendo sua incidência média estimada em cerca de 17% das plantas de laranja. A área de citros plantada em São Paulo passou de 650 mil hectares em 2005 para 430 mil hectares em 2016, principalmente devido à saída de pequenos e médios citricultores com dificuldades de manejar a doença pelos custos e queda de produção.

Na Flórida (EUA), a greening foi descoberto em 2005. Devido à ausência de medidas efetivas de contenção do avanço da doença, como um sistema de produção de mudas em viveiros protegidos do inseto vetor, controle sistemático do psilídeo e, sobretudo, a eliminação de plantas doentes, a produtividade e a longevidade dos pomares caíram drasticamente na última década. De uma produção de 149,8 milhões de caixas em 2005/06, a safra de 2016/17 atingiu apenas 67 milhões de caixas, segundo dados do USDA, o Departamento de Agricultura dos EUA.

Fonte/Créditos: A Cidade On

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