Agricultura

Em 3 anos, plantio de soja cresce 3.112% em Alagoas

"Saímos de uma área de 50 hectares, em 2015, para 1.551 ha em 2018".

Foi o que declarou Hibernon Cavalcante, coordenador da Comissão Estadual de Grãos do Governo de Alagoas, durante Dia de Campo realizado em Porto Calvo (AL) onde a Embrapa Tabuleiros Costeiros apresentou aos produtores e gestores públicos o potencial da cultura da soja na região,  também válida para Sergipe e norte da Bahia, região hoje conhecida como Sealba.

O Dia de Campo aconteceu na fazenda Surubana, em 3 de outubro último, no município de Porto Calvo (AL).”Ensaios de campo têm apresentado resultados de produtividade surpreendentes”, afirmou o pesquisador Sérgio Procópio, da Embrapa Tabuleiros Costeiros, ao constatar os resultados dos últimos cinco anos nos experimentos de diversas variedades de soja avaliadas.

“Existe a tendência de expandir a cultura da soja em Alagoas. A medida que o produtor planta soja em rotação de cultura com a cana-de-açúcar tem-se incorporação de nitrogênio, matéria orgânica e resultados melhores, nos próximos três anos, para a cultura da cana”, complementou Hibernon Cavalcante Albuquerque que é também superintendente de desenvolvimento agropecuário da Seagri-AL. “Há vários produtores que plantaram milho esse ano e para o ano que vem já estão se programando para a rotação de cultura com a soja”, disse ele.

Com a percepção desse grande potencial, diversos produtores alagoanos têm apostado na produção de grãos como alternativa de diversificação para driblar a crise do setor canavieiro. É o caso de Sérgio Papini, proprietário da fazenda Surubana onde ocorreu o Dia de Campo e abriga experimentos de soja da Embrapa. Há quatro anos, ele começou a produção com 55 hectares e hoje tem 210 hectares.  “Tivemos resultados extraordinários”, disse Papini. Em 2016, ano seco, Papini obteve 59 sacas/ha. No ano seguinte, chuvoso, obteve 60,1 sacas/ha. “Neste ano, pretendo colher entre 61 a 70 sacas/ha”, disse ele.

Sérgio Papini prevê que, com o recente aumento da área destinada à soja, talvez não obtenha lucro este ano, devido aos investimentos em melhoramento do solo, plantio direto e plantio do capim braquiária. O pesquisador Sérgio Procópio explica que, no primeiro ano de cultivo de soja, a produção é menor devido à compactação do solo, queimas e trânsito de máquinas pesadas durante os plantios anteriores de cana-de-açúcar.

O clima é de otimismo. “Com os dados apresentados, mostramos ao produtor, a segurança de realizar a transição da cana-de-açúcar para soja e não se limitar a cana sobre cana como acontece há várias centenas de anos aqui em Alagoas”, complementa Hibernon.

O Dia de Campo em Porto Calvo teve o apoio da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura de Alagoas (Seagri), por meio da Comissão de Grãos, em parceria com o Sebrae/AL e a Federação da Agricultura do Estado (FAEAL), com apoio técnico da Embrapa Tabuleiros Costeiros.

A próxima atividade visando a expansão da soja na região do Sealba acontecerá no município de Nossa Senhora das Dores, Sergipe, no campo experimental da Embrapa Tabuleiros Costeiros, dia 11 de outubro próximo, onde o pesquisador Edson Patto mostrará os resultados de pesquisa da soja na região, em rotação de cultura com milho e braquiária, em sistema de plantio direto, em um ano seco, mostrando um comparativo dessa tecnologia com o plantio convencional.


Pesquisador Sérgio Procópio mostra, em palestra, as condições climáticas e manejo de soja em Alagoas


Pesquisador Edson Patto compara plantio da soja  plantada de forma convencional e consorciada com milho/braquiária e plantio direto 

 

Fonte/Créditos: Ivan Marinović Bršćan, Embrapa Tabuleiros Costeiros 

 

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