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Controle químico aliado às práticas de manejo

O sucesso do agronegócio depende da preservação da biodiversidade.

Foto: Reprodução Internet

Num cenário em que o controle fitossanitário químico começa a sinalizar perda de performance nas culturas de soja e milho, cabe ao agricultor reavaliar as suas práticas de manejo e considerar alternativas como o controle biológico. Esse foi o principal alerta deixado pelos pesquisadores que participaram do IV Simpósio Agroestratégico, realizado em Cuiabá na última quinta-feira.

Promovido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), o evento reuniu mais de 200 participantes, entre agricultores, especialistas e técnicos do setor agrícola, para debater o tema “Manejo Antirresistência e Agricultura Sustentável”.

“Estamos diante de desafios biológicos, de resistência. Precisamos saber as estratégias e, mais, vimos que precisamos fazer diferente. Este está sendo um ano abençoado, por conta do clima, que está nos garantindo a média de 55 sacas de soja por hectare. Temos o desafio de segurar essa média alta, mas adotando estratégias de manejo e tecnologia que nos permitam não depender apenas do clima”, analisa o presidente da Aprosoja, Endrigo Dalcin.

O cenário mais preocupante quanto às doenças que acometem as lavouras de grãos foi relatado pela doutora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja, sobretudo quanto à resistência da ferrugem asiática aos fungicidas no Brasil e em países de fronteira, como Paraguai e Bolívia. Embora haja no mercado uma margem de 20 produtos para o combate à doença no país, cinco deles têm o uso recomendado e outros nove são produtos com apenas 40% de efetividade no controle da ferrugem.

“Este ano, o Comitê de Ação Antirresistência de Fungicidas (Frac) alertou para a mutação de um fungo com ocorrência no Sul do país e até em Mato Grosso do Sul. Ainda não é o fundo do poço, porém, não há novos produtos vindos do exterior há 20 anos. Isso pode colocar em risco toda a produção de soja do Brasil”, comentou Cláudia Godoy. Para ela, há a necessidade de se adotar estratégias associadas de Vazio Sanitário nos estados em que a soja é produzida, assim como nos países produtores de fronteira.

O restabelecimento da suscetibilidade das cultivares aos fungicidas, o uso de áreas de refúgio, a integração das diferentes táticas de manejo foram as principais mensagens deixadas por Celso Omoto, doutor pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq). O foco de sua palestra foi a busca pela longevidade da produção brasileira de grãos.

“O sucesso do agronegócio depende da preservação da biodiversidade. É preciso pensar as nossas estratégias, porque nossa realidade tropical é muito diferente da praticada lá fora. Não dá apenas para reproduzir aqui o que vem dos Estados Unidos, por exemplo. E Mato Grosso é um estado com agricultores muito organizados, o que é uma oportunidade ímpar de fazer a coisa certa”, ponderou Omoto.

Fonte/Créditos: Portal AgroLink

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