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Cisternas: aprenda a fazer bom uso da água que cai do céu

Com cuidados adequados, água da chuva pode ser usada não só para fins não potáveis, mas para matar a sede dos animais

Foto: Reprodução Internet

Captar água da chuva é importante não apenas para regiões que sofrem com a seca. Em áreas de criação de gado de corte e leite, de norte a sul do Brasil, o produtor pode se beneficiar de várias formas.

Segundo o pesquisador Julio Palhares, da Embrapa Pecuária Sudeste, além de não pagar pelo recurso, a captação e armazenamento em cisternas contribui para substituir, parcial ou integralmente, fontes superficiais e subterrâneas.

Na própria unidade da Embrapa onde Palhares trabalha, em São Carlos, SP, foi instalada em dezembro uma cisterna com capacidade de 10 mil litros. “De lá para cá, conseguimos substituir 70% da água que captávamos de um poço para limpar as laterais da sala de ordenha onde os animais ficam em espera”, diz.

A cisterna, que só secou recentemente, permitiu reduzir não apenas a retirada de água de extrema qualidade do poço, mas também o consumo de energia para trazê-la de longe até a superfície. O plantel da unidade é de 50 vacas em lactação.

No dia a dia de qualquer propriedade, a água da chuva pode ser destinada a uma série de atividades. Entre elas, irrigação, descarga de vasos sanitários, limpeza e resfriamento de instalações. Para usos mais nobres, no entanto, Palhares alerta que a qualidade da água deve ser monitorada. “Isso vale tanto para o consumo dos animais como higienização de equipamentos que tenham contato com o leite, por exemplo”, afirma.

Abaixo, listamos os principais fatores que interferem na qualidade da água armazenada em cisternas:

Condições atmosféricas – Sempre e quando houver presença de gases poluentes e poeira na região da fazenda, isso irá impactar na qualidade da água.

Para diminuir os efeitos, o especialista recomenda descartar a água proveniente do início das chuvas. “A Universidade Federal de Pernambuco, inclusive, tem um material em vídeo bem interessante sobre o tema, que o produtor pode consultar para construir ele mesmo seu sistema de descarte”, diz o especialista. (A primeira porção de chuva é aquela que ‘lava’ a atmosfera e também o telhado por onde irá correr a água antes de atingir as calhas e, por fim, a cisterna).

“O tempo de desvio varia conforme o período de estiagem e os fatores ambientais e humanos que impactam na contaminação das áreas de coleta da água, como por exemplo a presença de aves nas áreas de cobertura e/ou a pulverização de plantações nas proximidades”, afirma o pesquisador.

A presença de árvores nas imediações também pode ajudar a diminuir a quantidade de partículas em suspensão: “Com cercas vivas você barra essas partículas e também cria um microclima melhor”. A única ressalva é que as árvores não estejam muito próximas dos telhados dos galpões de onde será feita a coleta da água. Afinal, a ideia não é ter mais folhas e galhos para se preocupar.

Tipo de cobertura e manutenção – A escolha do material de que é feita a telha é outro fator que interfere na qualidade da água, porque ele pode terminar diluído no reservatório.

Segundo Palhares, não é possível apontar um tipo de telha ideal, porque sendo de zinco, barro, cerâmica, todas irão passar por esse processo. As indicações, portanto, são: verificar que tipo de tinta foi usada no revestimento das telhas, evitando assim riscos à saúde humana e animal, e promover sua conservação.

“A manutenção e a limpeza das coberturas e calhas são obrigatórias, devendo ser feitas, em média, a cada seis meses”, diz o pesquisador. Diante de estiagens, queimadas, revolvimento do solo ou grande acúmulo de fezes de pássaros, o intervalo deve ser menor.

Manejo da cisterna – A fim de garantir a qualidade da água, a limpeza da cisterna deve ser feita uma vez por ano. Dispositivos de descarte da chuva inicial, sistema de filtragem e bombas demandam cuidado mensal.

Para lavar a cisterna, Palhares afirma não ser necessário nada além de água e sabão. O monitoramento da água, de qualquer forma, é imprescindível, devendo ser feito mediante análise laboratorial.

“Conforme vai passando o tempo, a qualidade da água muda. Então, supondo que o produtor faça a coleta em janeiro para fornecer a água para os animais no período seco, ele tem, antes de mais nada, que avaliar sua qualidade”, diz Palhares. Frente a um quadro de alterações, um sistema de tratamento adequado ao uso mais nobre da água será escolhido, atendendo também à realidade de produção.

Sistema de retirada de água da cisterna – Por fim, é fundamental que a água seja retirada da cisterna sempre 20 centímetros abaixo da superfície. “Isso porque a água do fundo é sempre de pior qualidade, devido ao acúmulo de partículas nessa região”.

O ajuste da altura pode ser feito com o uso de uma bóia de nível. Quando a retirada for feita com o auxílio de baldes ou equivalente, vale lembrar que eles devem ser guardados limpos e em local livre de produtos tóxicos e acesso de animais.

Em cisternas de grande volume, as bombas precisam estar reguladas para não acontecer o turbilhonamento da água. “Isso provoca a suspensão das partículas depositadas no fundo”, completa Palhares.

Para saber como dimensionar o tamanho da cisterna de acordo com suas necessidades, acesse o documento produzido pela Embrapa Pecuária Sudeste: Captação de água de chuva e armazenamento em cisterna para uso na produção animal.

Fonte/Créditos: Portal DBO

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