Pesquisa

Brasileiro cria alternativa sustentável no combate à malária

Formulação pulverizável que atrai e mata o Anopheles – que transmite o vírus da malária.

Foto: Reprodução Internet

O pesquisador brasileiro Agenor Mafra-Neto, CEO da Isca Tecnologias, apresentou ao mundo na última semana uma alternativa que promete revolucionar o combate aos mosquitos responsáveis por algumas das principais causas de morte no mundo. Na conferência anual da Sociedade Americana de Química (ACS, na sigla em inglês), foram apresentados resultados preliminares de testes de campo do Vectrax, uma solução que atrai e mata o Anopheles – que transmite o vírus da malária.

Trata-se de uma formulação pulverizável que “chama” mosquitos através da simulação do odor de néctar de plantas, e tem como alvo mosquitos adultos de qualquer espécie. Os mosquitos dos dois sexos buscam néctar praticamente de forma diária, e as fêmeas se alimentam várias vezes antes de picar alguém em busca de sangue. Em função disso, o Vectrax controla a população local dos vetores antes que eles tenham oportunidade de atacar hospedeiros e transmitir doenças.

O projeto chamou a atenção da Fundação Bill & Melinda Gates, que tem na erradicação da malária uma de suas principais bandeiras. Com os resultados do Vectrax atingindo uma efetividade de até 80% contra os mosquitos transmissores da doença, Mafra-Neto foi convidado para apresentar a solução na prestigiada reunião da Sociedade Americana de Química da última quarta-feira (23.08) em Washington (DC), nos Estados Unidos.

“Queremos ajudar a erradicar as doenças transmitidas por vetores e todo o sofrimento que elas causam. Estamos contribuindo criando produtos sustentáveis, amigável ao meio ambiente, inteligentes e de baixo custo, que mudam a maneira como os vetores se comportam, matando-os antes de transmitir doenças”, disse o cientista na conferência.

De acordo com ele, em um litro de Vectrax diluído há menos de 1% de inseticida, o que reduz tanto a agressividade ao meio ambiente quanto o custo – que podem significar apenas alguns centavos por embalagem. O produto está sendo testado na Tanzânia, um país africano que enfrenta uma endemia de malária, e a incidência da doença foi diminuída a praticamente zero nos locais tratados.

Os insecticidas químicos convencionais usados para controlar mosquitos geralmente são pulverizados sobre vastas áreas, expondo a população e os animais domésticos a compostos potencialmente nocivos, que podem matar ainda abelhas e outros insetos benéficos. Já o Vectrax “é aplicado pontualmente atraindo o inseto que se alimenta do inseticida, não expondo as pessoas ao contato com tóxicos para humanos. Também não tem uma aplicação complicada, podendo ser diluído em uma garrafa d’água normal e ser espalhado pela própria população”, explica Mafra-Neto.

Outras soluções

Outra solução apresentada na reunião da Sociedade Americana de Química foi o SPLAT BAC, desenhada para controlar as populações em estado larval. Contém um biolarvicida de longa duração que pode ser aplicado preventivamente em criadouros de mosquitos. O produto é composto ainda de um feromônio, que atrai fêmeas grávidas a depositarem seus ovos sobre o larvicida, e um atrativo alimentar para que as larvas se alimentem dessa substância letal para elas. Os três componentes na mesma formulação fazem do SPLAT BAC uma nova e potente arma contra os mosquitos.

A terceira inovação mostrada pelo CEO da Isca Tecnologias é chamada de “Vaca de Troia”. O produto funciona tratando bovinos e cabras com uma formulação que os faz exalar um odor simulando o do ser humano. Esse cheiro atrai os mosquitos transmissores de malária a picar esses animais, que são imunes à doença, que são tratados com um medicamento para matar os insetos.

Brasil

Agora, o objetivo do cientista, que é doutor em entomologia e ecologia química, é testar as soluções contra um dos principais inimigos da saúde pública no Brasil: o mosquito Aedes aegypti. Os testes realizados até agora apontaram índices de eficiência tão grandes quantos os obtidos contra o Anopheles, o que viabilizaria aplicar o Vectrax em campo especificamente no combate ao vetor transmissor da Zika e da dengue.

Os primeiros contatos para trazer a solução ao Brasil foram feitos em 2015, envolvendo negociações de uma parceria com a Fiocruz. A iniciativa, no entanto, esbarrou nos surtos de dengue e Zika que assolaram o País à época. “A situação estava complicada e não havia como realizar testes. Mas quero ajudar meu país. Fui morar nos Estados Unidos em busca de mais oportunidades de pesquisa, mas sei o quanto o Brasil precisa de soluções para o combate a esse mosquito. No mundo inteiro, 800 mil pessoas morrem todos os anos por doenças transmitidas por mosquitos”, conclui.

Fonte/Créditos: Portal Agrolink

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