CuriosidadesEntretenimento

8 peixes para criar em cativeiro, confira quais são

Saiba como alimentar corretamente cada uma das espécies e adaptar seus processos reprodutivos ao ambiente dos criatórios

Foto: Reprodução

A criação para fins comerciais é uma constante na piscicultura e pode ser bem trabalhada a partir de uma alimentação correta e cuidados com a reprodução dos animais. Abaixo você confere uma lista de peixes de água doce com bom desempenho para criação em cativeiro. Para saber mais sobre a criação de cada uma das espécies, acesse as páginas específicas lincadas ao nome dos peixes.

Matrinxã
A fauna aquática amazônica abriga milhares de espécies de peixes – fonte tradicional de proteínas para as comunidades indígenas e populações ribeirinhas. A pesca sempre foi feita em regime extrativista, para consumo local. A piscicultura, porém, vem crescendo e, graças a técnicas modernas de cultivo em cativeiro, várias espécies do cardápio regional passaram a ser introduzidas e comercializadas em outras áreas do país. É o caso do matrinxã, peixe de escamas, coloração prateada e corpo alongado, capaz de atingir 80 centímetros de comprimento e cinco quilos de peso. Encontrado tradicionalmente nas bacias Amazônica e Araguaia-Tocantins, o peixe se adapta bem ao ambiente dos criatórios. No rio, tem preferência pelo consumo de frutos, sementes, insetos e peixes pequenos. Em cativeiro, pode ser alimentado com ração peletizada para peixes carnívoros. O uso de hormônios para a reprodução induzida do matrinxã é uma prática complexa, que necessita de tecnologia específica e, portanto, reservada para quem já é profissional. As informações foram consultadas junto a Geraldo Bernardino, da Secretaria de Produção Rural do Estado dos Amazonas.

Piauçu
Segundo Eduardo Makoto Onaka, pesquisador do Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Pescado Continental, o piauçu (Leporinus macrocephalus) forma o grupo de peixes com boca pequena composta de dentes incisivos que possuem características adequadas para criação em cativeiro. Tem crescimento rápido, boa adaptação para viver em espaços pequenos, como tanques escavados, e não demanda muito investimento. De origem da bacia do Rio Paraguai, abrangendo toda a área do Pantanal e o Baixo Rio Paraná, o piauçu enfrenta, na natureza, corredeiras de águas para a realização da desova, que vai de setembro a janeiro. Por isso, durante o período de reprodução em cativeiro, onde não há correntezas, o peixe precisa receber estímulos por meio da aplicação de hormônios. O procedimento, que tem registros bem-sucedidos, deve ser feito com o auxílio de um produtor experiente ou profissional da área com conhecimentos no assunto.

Piapara
Outro peixe de baixo custo adaptado às técnicas de criação é a piapara que, de acordo com Onaka, conta com várias vantagens tanto produtivas quanto comerciais. “Peixe que come de tudo, desde vegetais, algas, larvas, insetos até crustáceos, podendo até viver apenas com uma dieta herbívora, tem rápido ganho de peso e boa conversão alimentar com o consumo de ração peletizada”, afirma o especialista. Apesar de necessitar de aplicação de hormônios, assim como o piauçu, a reprodução em cativeiro apresenta bom resultado. Como a piapara é onívora, a espécie não tem muitas restrições alimentares. É recomendado comprar ração comercial para peixes onívoros em lojas agropecuárias. Estudos científicos revelaram que 25% da proteína da ração devem ser de origem animal, para melhor desempenho da criação em cativeiro.

Dourado
Com rápido crescimento e ganho de peso, o dourado também responde positivamente ao manejo em cativeiro e alcança bons preços de venda no varejo para consumo. A carne é de ótima qualidade e agradável ao paladar do brasileiro. Segundo Fernando André Salles, pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia de Agronegócios, entre as espécies do gênero Salminus, a S. brasiliensis é a mais indicada para criação. No ambiente natural, pode ser encontrada nos rios Paraná, Paraguai, Uruguai, Chaparé e Mamoré, além das bacias ligadas à Lagoa dos Patos. Apesar de responder bem à alimentação com ração artificial, o dourado é um peixe carnívoro exigente em alimentos ricos em proteína. Criá-lo em consórcio com outras espécies é uma alternativa para baratear os custos da atividade. Uma boa opção de peixe forrageiro é o lambari, que se reproduz com velocidade. No cativeiro, é necessário adotar técnicas de indução hormonal para provocar a ovulação das fêmeas e a liberação de esperma dos machos.

Piau.
O piau é uma espécie de crescimento rápido, sobretudo nos primeiros 12 a 18 meses de vida. Pode ser criada para várias finalidades, como a produção de carne, a pesca esportiva e a ornamentação. Dotados de carne suave e saborosa, e por resistirem com força ao serem fisgados no anzol, têm no manejo em cativeiro a possibilidade de atender o varejo alimentício e o comércio de pesque e pague. Na natureza, alimentam-se de frutos, folhas, raízes, sementes, crustáceos, moluscos, insetos e outros peixes. Por serem onívoros, no cativeiro aceitam bem ração comercial. No caso da reprodução fora de seu ambiente natural, a liberação dos óvulos e espermatozoides exige a realização de uma indução hormonal, pois os piaus precisam fazer piracema para que os órgãos reprodutores amadureçam totalmente antes da desova. A aplicação de hormônio nos machos é feita logo após a segunda dose dada às fêmeas. Uma sugestão é solicitar auxílio de um profissional ou criador mais experiente até obter prática no procedimento.

Pirarucu
Além do piauçu e da piapara, Onaka aponta o pirarucu com uma boa opção de peixe para ser criado em cativeiro. Um dos maiores peixes de água doce, o pirarucu pode ultrapassar 2 metros de comprimento e pesar mais de 200 quilos. Gosta de viver em água calma e em rios de correnteza fraca. Pelas vantagens comerciais, segundo o especialista, o pirarucu tornou-se, no entanto, presa cobiçada pela pesca predatória, sendo a criação em cativeiro uma alternativa para manter os estoques da espécie. Quanto à alimentação, há duas opções de dieta para o pirarucu de cativeiro. Se a escolha for pela alimentação natural, com o consumo de lambaris, tilápias e espécies forrageiras, os juvenis devem ser separados dos pais quando atingem 40 gramas. Na adoção de arraçoamento, considerada a melhor alternativa, quando com 1,5 ou 2 gramas os juvenis já podem ser transferidos para um local específico para começar o condicionamento alimentar. No início, eles são treinados para comer ração durante seis dias, com seis refeições diárias; mas o processo pode demorar mais.

Robalo
Pesquisas realizadas ao longo dos últimos anos abriram a possibilidade de criação de robalo em cativeiro. As técnicas de reprodução, larvicultura e engorda estão hoje dominadas e permitem incluir a espécie entre as opções da piscicultura comercial. A criação pode ser manejada em tanques escavados, açudes e represas. De acordo com Vinicius Ronzani Cerqueira, professor de psicultura marinha da Universidade Federal de Santa Catarina, em criações cujo objetivo é a engorda de alevinos a dica é deixar a fase de reprodução aos cuidados de especialistas. “O processo é complicado e exige experiência e habilidade para lidar com a indução de hormônios nas matrizes”, completa.

Black bass
Peixe exótico e muito apreciado na prática da pesca esportiva, o black bass pode ser produzido em cativeiro com autorização do Ibama, de acordo com a Portaria n° 145/98. Voraz e agressivo, está entre os peixes mais apreciados da pesca esportiva em água doce. De acordo com os consultores Fernando Stopato e Nilton Eduardo Torres, do Instituto de Pesca de São José do Rio Preto (SP), por ser carnívoro, o black bass exige um período de adaptação para acostumar a comer rações industrializadas. A ração deve ser palatável e úmida, além de ser fonecida com frequência e regularmente. Quanto à desova, os especialistas alertam que cada fêmea realiza, em média, três processos, que geram individualmente cerca de 4.000 larvas. A recomendação é utilizar um tanque com água limpa para facilitar a visualização e coleta das larvas, que são protegidas pelos machos. Com dois centímetros de comprimento,elas podem ser removidas para um viveiro adubado com zooplâncton, que servirá de alimento até chegarem a 3,5 centímetros, antes de 20 dias. Em seguida, inicia-se o período de condicionamento alimentar.

Fonte: Revista Globo Rural

Tag

Notícias relacionadas

Um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *